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92º Aniversário do Notícias da Beira

Entrevista ao Administrador José da Silva Gonçalves


Ainda no âmbito das comemorações dos 92 anos do Notícias da Beira, conversámos com o seu Administrador, José da Silva Gonçalves. Em tempos difíceis e de incerteza, quando o jornal foi doado à paróquia, foi o pilar que manteve viva a sua essência e o seu propósito. Nesta entrevista são partilhados os desafios enfrentados para garantir a continuidade de algo a preservar, enquanto legado de uma comunidade.


“Indiscutivelmente, o grande impulsionador do projeto foi o Sr. Padre Lobinho.

Este projeto para ele, como em todos os outros em que esteve envolvido, deveria ser a comunidade a organizar-se e a assumir o projeto como seu”


“... fomos dos primeiros jornais regionais a utilizar os meios informáticos...”

“Toda a imprensa regional nacional vive momentos difíceis..”



Sabemos que teve um envolvimento ativo na continuidade do NB. Pode contar-nos um pouco a história deste processo?

Foi justamente no ano em que o Jornal foi doado à Paróquia – 1972 – que eu fui colocado em Mangualde após conclusão do curso. Pouco conhecia de Mangualde e da dinâmica da Paróquia. Havia já alguma relação com o Sr. Padre Lobinho e foi ele, com a dinâmica e entusiasmo que o caracterizavam, que me apareceu em casa dizendo que precisavam de mim para colocar em atividade o jornal “Notícias da Beira”. Conduziu-me a uma das salas do andar arrendado onde viviam os Srs. Padres onde me mostrou uns caixotes de umas quantas fichas que seriam dos antigos assinantes que existiam à data em que o jornal deixou de ser publicado. A tarefa seria reorganizar todo o arquivo e efetuar todos os procedimentos necessários para que o jornal pudesse novamente vir a ser publicado. Foram muitas horas de trabalho, muitos serões prolongados, várias diligências a efetuar.

Desde então, e durante vários anos, assumi todas as tarefas burocráticas e toda a organização administrativa e financeira, incluindo a gestão de assinantes e publicidade, ficando o Sr. Pe. Lobinho todos os trabalhos inerentes à redação. Com o início do projeto do Complexo e com a vinda do Sr. Padre Felício, este passou a ter as funções de chefe de redação. Claro que ainda não havia informática e era necessário levar à tipografia (em Viseu) todos os textos em papel para se proceder à impressão.

Entretanto, começaram a surgir os computadores e as impressoras a laser que possibilitariam a feitura do jornal nas nossas instalações, sendo apenas necessário reprodução na tipografia. Com um investimento significativo e após uma candidatura a uns subsídios, fomos dos primeiros jornais regionais a utilizar os meios informáticos. Só passados alguns anos se contratou um funcionário para ajudar nestas tarefas.


Como acolheu a Paróquia este órgão de comunicação social?

Toda a Paróquia estava a iniciar uma reorganização pastoral e a pensar que seria necessário também construir estruturas que pudessem responder a essa nova dinâmica pastoral. Obviamente que o jornal seria um excelente meio de comunicação ao serviço desta dinâmica, não apenas para a comunidade a viver em Mangualde, mas também para a necessária ligação com toda a significativa comunidade emigrante.


Recuando a 1972 e, depois, para os anos decorridos, quais foram as pessoas e os acontecimentos-chave?

Indiscutivelmente, o grande impulsionador do projeto foi o Sr. Padre Lobinho. Este projeto para ele, como em todos os outros em que esteve envolvido, deveria ser a comunidade a organizar-se e a assumir o projeto como seu. Daí que logo de início quis que o diretor fosse um leigo identificado com a dinâmica da paróquia. O primeiro diretor, que se manteve em funções enquanto a sua saúde o permitiu, foi o saudoso Dr. Samuel Machado. Durante os anos em que esteve em Mangualde foi também determinante a ação do Sr. Padre Felício como chefe de redação, especialmente no período em que o jornal passou a semanário.


Que dificuldades foram sentidas e como foram superadas?

De início tivemos algumas dificuldades financeiras, que de resto se têm mantido. No mais foi fundamental uma grande equipa de colaboradores e correspondentes que cobriam todo o concelho. Anualmente havia um encontro com todos para traçar e partilhar objetivos e estabelecer laços.


Na sua opinião, qual a importância desta publicação ao serviço da região?

A importância do jornal está bem expressa no editorial que a nossa diretora explicitou magistralmente no último editorial


Quais os maiores desafios que a imprensa regional enfrenta nos dias de hoje?

Toda a imprensa regional nacional vive momentos difíceis, em que o principal desafio é o da sobrevivência económica, numa época em que as novas tecnologias dominam toda a informação.


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